VISITA Á AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA ------------------
Não identificarei a loja visitada, visto ser esta uma prancha descritiva e desta forma possa ser mantido a coberto a sua localização, descrição, etc...
Foi no mês de Nissan de 6008, durante a minha estadia no Brasil que fui fraternalmente recebido pelos nossos irmãos da Augusta e Respeitável Loja ---------------------, constituída a Oriente de ------------------, sob o nº--- , do Grande Oriente de -------------------.
Foi no dia 19 de Nissan de 6008 que me encontrei com o V:.M:. -------, onde decorreram as apresentações formais e tive a oportunidade de visitar as instalações e o templo dos nossos queridos irmãos.
Foi nesse dia que me apercebi realmente da grande abertura que a Maçonaria Brasileira tem para com a sociedade profana. Foi muito fácil localizar o edifício, visto ter no topo da sua fachada principal, um imponente símbolo em alto relevo, com um esquadro e um compasso.
Ao entrar no edifício deparo-me no 1º andar com um grande salão de festas, utilizado aos Sábados para realização de eventos sócio-culturais para a população da região, onde se angariam metais gastos integralmente em solidariedade prestada á comunidade.
Nas próximas linhas vou tentar descrever-vos abreviadamente as principais diferenças que verifiquei, e que o meu curto conhecimento Maçónico me permitiram identificar, relativamente á R:.L:. José Damião a que pertenci e que tal como R.'.L.'. ------------------------------, praticava o REAA.
O templo, localizado no 2º andar, tem dimensões idênticas, com uma bonita decoração, possível por ser de carácter permanente, paredes com colunas encastradas e decorativas ao longo do templo, fazendo lembrar os antigos edifícios gregos, pavimento integralmente preto e branco, tecto azul claro com pinturas celestes, a mesa do V:.M:. coberta por um dossel vermelho com franjas douradas e elementos decorativos e simbólicos nas paredes. No centro do templo encontrava-se o altar dos juramentos, exibindo o livro da lei sagrada, as joias da loja e as três colunetas.
Os quadros de grau ficam localizados no Oriente, no estrado do V:.M:., encostados ao seu altar e de frente para Ocidente. A pedra bruta encontra-se no estrado do 1ºV:. e a pedra polida no estrado do 2ºV :.
Foi interessante verificar que os símbolos de todos os graus se encontram sempre visíveis, embora cada irmão só conhece o significado dos símbolos do grau a que pertence. A posição da lua e do sol no Oriente, encontra-se invertida relativamente á utilizada na Europa, localizando-se o sol no Norte e a lua no Sul. Questionei o V:.M:. acerca deste ponto, ao qual me respondeu que todas as lojas que conhece no Brasil, se encontram desta forma.
O Delta exibe as letras hebraicas LOD, HÉ, VAU, HÉ. A localização dos irmãos com funções de loja também não é a mesma a que estou habituado a ver na nossa R:.L:.. No Oriente localiza-se uma mesa central onde tem lugar o V:.M:. e o Representante do G:.M:., á sua direita fica o Diácono e o Orador, á sua esquerda os Mestres convidados e o Secretário, posições inversas ás que temos na nossa R:.L:.. As posições dos Vigilantes, do Tesoureiro, dos Guardas, dos Mestres, Companheiros e Aprendizes são as mesmas que tinhamos nas nossas sessões do Rito Escocês Antigo e Aceito, sentando-se o Mestre Cerimónias junto ao Tesoureiro.
Á entrada dos paços perdidos existe um quadro com editais e noticias Maçónicas, muito idêtifo ao que nós também usavamos. Adiante encontra-se a biblioteca, a sala de direcção, o vestiário, os sanitários, uma sala de convívio e a câmara de reflexão.
No dia 27 de Nissan de 6008, assisti á sessão regular, do Rito Escocês Antigo e Aceito, na sua versão “Económica”, ou abreviada. Todos os Irmãos usam balandrau, excepção feita nas sessões de iniciação em que usam o tradicional fato preto. Os Irmãos com funções de loja usam o respectivo colar e punhos ornamentados.
Nenhum irmão (excepto eu) faz uso das luvas brancas. Segundo o V:.M:. deve-se ao facto de estarmos num pais tropical, com altas temperaturas. A espada é usada somente pelos Guardas.
Imediatamente antes do inicio da sessão e ainda nos paços perdidos, é indicado pelo M:.C:. um Irmão que lê um pequeno texto de um livro de pensamentos, aberto numa página ao acaso. Coube-me a mim ler o referido pensamento.
O M:.C:. bate Maçónicamente á porta do Templo, onde os Guardas cumprem o ritual. A entrada no Templo e a deslocação até aos respectivos lugares não é acompanhada pelo M:.C:.. Para assegurar que todos os presentes são Maçons regulares, cumpre-se o Ritual, mas toda a loja faz simultaneamente o sinal e os VV:. não se deslocam pelas suas colunas para a respectiva verificação.
O acender das velas é protagonizado pelo M:.C:. que seguidamente convida o representante do G:.M:. a abrir o livro da lei sagrada e colocar as joias da lojano seu lugar, enquanto lê uma oração. Na abertura dos trabalhos, o V:.M:.não faz uso da espada flamejante.
A aclamação é efectuada com todos os Irmãos á Ordem. Antes da ordem do dia, circula o saco das propostas, onde são colocadas as propostas, os cartões de visita a outras lojas, pedidos de palavra extra ordem dos trabalhos e justificações das faltas.
A acta da ultima sessão é votada por todos os irmãos, independentemente do seu grau e qualidade. Nesta acta constam os metais do saco da beneficência.
Para a confirmação dos irmãos presentes não é efectuada a chamada pelo Secretário, visto que ainda nos paços perdidos se assina o livro de presenças. Os Irmãos atrasados assinam o livro no decorrer da Sessão, sendo-lhes levado ao lugar pelo M:.C:., após terem entrado ritualmente. A esta entrada os N:.Q:.I:. chamam telhamento.
Já no decorrer dos trabalhos, a coluna do Norte pede a palavra ao 1ºV:. e este directamente ao VM:. e a coluna do Sul pede a palavra ao 2ºV:. e este directamente ao VM:., contrariamente ao que se verifica na maioria das lojas na Europa. Os Aprendizes têm a palavra do seu lugar e não entre colunas, como verifiquei sempre na nossa R:.L:..
No final dos trabalhos não foi efectuada a Cadeia de União. A A:.R:.L:. fez uma exposição ao seu G:.O:.sobre a Cadeia de União, á qual ainda não tinham obtido resposta. O Tronco da Viúva, chamado Tronco da Beneficência pelos nossos Irmãos, circulou e no final anunciou-se á Loja os metais gerados. A titulo de curiosidade, na sessão em que assisti gerou-se aproximadamente 95 Kilos.
O fecho do Livro Sagrado e o apagar das velas foi efectuado com as mesmas formalidades da abertura. A saída dos Irmãos do Templo, não foi acompanhada pelo M:.C:.
A Sessão a que assisti foi de 1ºGrau e de Instrução. No decorrer dos trabalhos o V:.M:. pediu-me que dirigisse algumas palavras de Instrução aos Irmãos Aprendizes. Tal como combinado anteriormente li a minha prancha relativa ao nome simbólico, que despertou grande curiosidade e interesse em todos, visto que não sabiam que nós usávamos o que eles baptizaram de pseudónimo. Li também o texto “Significado Maçónico do Silêncio” de Weber Varrasquim.
Um Mestre leu uma prancha acerca do perdão e um Companheiro leu outra acerca da Fraternidade do ponto de vista dos Espíritas. Os NN:.QQ:.II:. convidaram-me também para assistir a uma sessão com cerimónia de iniciação, da ordem DeMolay, “apadrinhada” pela R:.L:. ------------------------. Infelizmente não pude assistir a esta cerimónia, por já ter agendado compromissos familiares na data em questão.
Para quem não conheça a Ordem DeMoley é uma espécie de “Maçonaria Juvenil”, com jovens dos 12 aos 21 anos. Não existe passagem directa dos membros da Ordem DeMoley para a Maçonaria.
Os Ágapes, ou Banquetes como referido pelos N:.Q:.I:. são todos brancos, participando as “Cunhadas” e os “Sobrinhos”. Como curiosidade, cantam-se os parabéns aos Maçons, Cunhadas e Sobrinhos aniversariantes da semana anterior. As reuniões da Augusta e Respeitável Loja -------------------------- são semanais, na seguinte ordem: - 1ª semana– Sessão de Grau de Aprendiz- Semana seguinte – Sessão de Grau de Mestre- Semana seguinte – Sessão de Grau de Aprendiz - Semana seguinte – Sessão de Grau de Companheiro.
No Ágape, percebi que para a elevação não existe um Catecismo. Esta acontece pelo conhecimento dos símbolos de cada grau. No caso do Grau de Aprendiz, o Esquadro, o Compasso, a Pedra Bruta e a Pedra Cúbica, etc...
A recepção dos Q:.I:.Brasileiros fez-me sentir em casa, pela abertura, simpatia e extrema preocupação para agradarem e para que tudo estivesse justo e perfeito. No final foi expresso o desejo de continuidade dos contactos, tendo trocado telefones e mail com o V:.M:., com o Representante do G:.M:. e com o Orador.
O tratado de amizade enviado por nós foi aceite pelos Irmãos da R:.L:. e foi enviado para o seu G:.O:. para efectuarem os formalismos necessários.
Tenho dito
Gago Coutinho (A:.M:.)
R:. L:. Phoenix
Nissan de 6008










