Passagem do Ensinamento de Ani (um texto da chamada literatura sapiencial datado do Império Novo), que nos revela as concepções egípcias relativas aos deveres dos filhos para com os seus pais.
Duplica o alimento que tua mãe te deu,
sustenta-a como ela te sustentou.
Teve em ti um pesado fardo,
Mas não te abandonou.
Quando nasceste depois dos seus meses,
Continuou ainda ligada a ti,
Seu peito na tua boca por três anos.
Quando cresceste e tuas fezes causavam nojo,
Não sentiu repugnância, dizendo “que hei-de fazer?”
Quando te mandou à escola,
e te ensinavam a escrever,
ficou à tua espera todos os dias,
com pão e cerveja na sua casa.
Agora que, na flor da idade, tomaste mulher
e estás bem instalado na tua casa
presta atenção à tua prole,
criando-a como fez tua mãe.
Não lhe dês motivo para te censurar,
Não erga ela as mãos a Deus
E ele ouça os seus clamores.










